“Agh!” Khufu advertiu, segurando cinco dedos.
“Cinco minutos à esquerda”. Carter traduziu.
“Dê-me um momento”, disse JD. “Esta lava está repleta de feitiços de proteção mais fortes. Eu precisarei modificá-los para adentrarmos”
“Uh”, Disse eu nervosamente. “Mas os feitiços ainda vão manter fora inimigos como cobras gigantes dos caos, eu espero?”
JD me deu um olhar exasperado, dos quais tenho recebido muitos.
“Eu sei uma coisa ou duas sobre mágica de proteção”, ele prometeu. “Confie em mim”. Ele levantou sua varinha e começou a cantar.
Carter me puxou para o lado. “Você está bem?”
Devo ter ficado com aspecto abalado desde me encontro com o tio Vinnie. “Estou bem”, eu disse.
“Vi algo lá atrás. Provavelmente apenas um dos truques de Apófis, mas...”
Meus olhos fitaram o outro lado extremos do corredor. Walt estava olhando para um prono de ouro numa caixa de vidro. Ele se inclinou para frente com uma mãe no vidro como se estivesse doente.
“Um instante”. Eu disse a Carter.
Fui para o lado de Walt. A luz da exibição banhava seu rosto, tornando suas feições marrom avermelhado, como os morros do Egito.
“Algo errado?”. Eu perguntei.
“Tutancamon morreu nessa cadeira” Ele disse.
Eu li a placa de vídeo. Ele não disse nada sobre Tut morrer na cadeiras, mas Walt soou muito certo. Talvez ele pudesse sentir a maldição da família. O rei Tut foi o Tio-Avô de Walt a um bilhão de anos atrás, e o mesmo veneno genético que matou Tut aos dezenove anos, agora está correndo no sangue de Walt, ficando mais intenso quanto mais ele praticava magia.
No entanto, Walt se recusou a diminuir o ritmo. Olhando para o trono de seu pai, ele deve ter se sentido como se estava lendo seu próprio obtuário.
“Vamos achar uma cura”. Eu prometi. “Assim que lidarmos com Apófis...”
Ele olhou para mim, e minha voz fraquejou. Ambos sabíamos que nossas chances de derrotar Apófis eram pequenas. Mesmo se nós conseguíssemos, não havia garantia de que Walt iria viver por muito tempo.
“Pessoal”. Carter chamou. “Nós estamos prontos.”
...
O quarto além das crioesfinges era uma coleção de “maiores sucessos” da Vida Após a Morte Egípcia. Um Anúbis de madeira em tamanho natural olhava para baixo de seu pedestal. Sobre uma réplica da Balança da Justiça sentava-se um babuíno dourado, com quem Khufu começou imediatamente a flertar. Havia máscaras de faraós, mapas do Mundo Inferior e vários vasos canópicos que outrora tinham sido preenchidos com órgãos de múmias.
Carter passou por tudo isso. Ele nos reuniu em torno de um longo pergaminho de papiro em uma caixa de vidro na parede atrás.
“É disso que vocês estão atrás?” JD franziu o cenho. “O livro de Superar Apófis? Você percebe que mesmo os melhores feitiços contra Apófis não são muito efetivos”.
Carter alcançou o seu bolso e retirou um pedaço de papiro queimado “Isto é tudo que pudemos salvar de Toronto. Havia outra cópia do mesmo pergaminho”.
JD pegou o pedaço de papiro. Não era maior do que um cartão postal e estava muito carbonizado para nos deixar compreender pouco mais de alguns hieróglifos.
“’Superar Apófis...’” ele leu. “Mas este é um dos pergaminhos mágicos mais comuns. Centenas de cópias sobreviveram desde os tempos antigos”.
“Não”. Lutei contra o desejo de olhar sobre o meu ombro, no caso de quaisquer serpentes gigantes estarem ouvindo. “Apófis está atrás apenas de uma versão particular, escrita por este cara”.
Bati na placa de informações próxima ao visor. “’Atribuido ao Príncipe Khaemwaset,’” eu li, “’mais conhecido como Setne.’”
JD fez uma careta. “Esse é um nome mal... um dos magos mais perversos que já viveu”.
“É o que ouvimos,” eu disse, “e Apófis quer destruir apenas a versão de Setne do pergaminho. Até onde sabemos, existiam apenas seis cópias. Apófis já queimou cinco. Esta é a última”.
JD estudou o pedaço de papiro queimado com dúvida. “Se Apófis tiver realmente ressurgido do Duat com todo o seu poder, por que ele se importaria com alguns pergaminhos? Nenhum feitiço poderia detê-lo. Por que ele ainda não destruiu o mundo?”
Nós nos fazíamos a mesma pergunta por meses.
“Apófis tem medo deste pergaminho”, eu disse, esperando que eu estivesse certa. “Algo nele deve trazer o segredo para derrota-lo. Ele quer ter certeza de que todas as cópias estão destruídas antes que ele invada o mundo”.
“Sadie, precisamos correr,” Carter disse. “O ataque pode vir a qualquer minuto”.
Eu me aproximei do pergaminho. Ele tinha mais ou menos dois metros de comprimento e meio metro de altura, com densas linhas de hieróglifos e ilustrações coloridas. Eu tinha visto muitos pergaminhos como este descrevendo formas de derrotar o Caos, com cânticos designados para evitar que a serpente Apófis devorasse o deus sol Rá em sua jornada noturna pelo Duat. Os Egípcios Antigos eram um tanto obcecados com este assunto. Bando de gente feliz, esses Egípcios.
Eu podia ler os hieróglifos – um dos meus muitos talentos incríveis – mas o pergaminho tinha muitos para entender. À primeira vista, nada me pareceu particularmente útil. Havia as usuais descrições do Rio da Noite, pelo qual a barca solar de Rá viajava. Estive lá, obrigada. Havia dicas de como lidar com os vários demônio do Duat. Já os encontrei. Já os matei. Peguei a camisa.
“Sadie?” Carter perguntou. “Alguma coisa?”
“Não sei ainda,” eu resmunguei. “Me dá um tempo”.
Eu achava irritante que meu livresco irmão fosse o mago combatente, enquanto esperava-se que eu fosse a grande leitora de magia. Eu mal tinha paciência para revistas, muito menos para pergaminhos mofados.
Você nunca vai entende-lo, a face na parede alertara. Você precisa de minha ajuda.
“Precisamos levá-lo conosco”, decidi. “Tenho certeza de que posso desvendá-lo com um pouco mais—“O prédio sacudiu. Khufu gritou e saltou para os braços do babuíno dourado. Os pinguins de Félix giravam em círculos freneticamente.
“Isso pareceu—“ JD Grissom empalideceu. “Uma explosão lá fora. A festa!”
“É uma distração”, Carter alertou. “Apófis está tentando afastar nossas defesas do pergaminho”.
“Eles estão atacando os meus amigos,” disse JD em uma voz estrangulada. “Minha esposa”.
“Vá!” eu disse. Olhei para meu irmão. “Nós podemos lidar com o pergaminho. A esposa de JD está em perigo!”.
JD apertou minhas mãos. “Pegue o pergaminho. Boa sorte”.
Ele saiu correndo da sala.
Virei-me para o visor. “Walt, você pode abrir a caixa? Precisamos tirar isso daqui o mais rápido—“
Uma risada maligna encheu a sala. Uma voz seca e pesada, profunda como uma explosão nuclear, ecoou ao nosso redor: “Eu acho que não, Sadie Kane”.
Senti minha pele como se tivesse se transformando em papiro quebradiço. Eu me lembrava daquela voz. Eu me lembrava de como se sentia estando tão próxima ao Caos, como se meu sangue estivesse se transformando em fogo e as fitas de meu DNA estivesse se desnovelando.
“Acho que vou destruí-la com os guardiões do Maat”, disse Apófis. “Sim, vai ser divertido”.
Na entrada da sala, as duas crioesfinges obsidianas se viraram. Elas bloquearam a saída, ficando ombro a ombro. Chamas giravam de suas narinas.
Na voz de Apófis, elas falaram em uníssono: “Ninguém sai deste lugar vivo. Adeus, Sadie Kane”.